Homenagem e luta dos moradores do Loteamento São Francisco

Ontem, os moradores do Loteamento São Francisco homenagearam o pai de Adjailma, que faleceu no final de semana. Ele tentava acompanhar, pelos relatos da filha, o andamento do processo que retirou todas as famílias do loteamento e este cuidado foi reconhecido por todos os moradores presentes na reunião.

Depois de um minuto de silêncio e de confortarem a amiga, os moradores avaliaram a situação das famílias do loteamento e as propostas feitas pela Procuradoria Geral do Estado e pela CEHAB, na última reunião realizada na PGE, em que o Comitê Popular da Copa (PE), lançou uma nota solicitando do Governo de Pernambuco mais responsabilidade perante os removidos.

Os moradores e o próprio Comitê avaliaram que a reunião foi um primeiro passo positivo, desde os atos públicos que precisaram ser realizados na frente da PGE, para que os moradores fossem ouvidos. Apesar da ausência das secretarias responsáveis, o Governo assumiu que houve erros na condução do processo das famílias, embora ainda falte muito para realmente ressarcir os prejuízos materiais efetivos que as famílias tiveram com as desapropriações.

Eles voltaram a citar, na reunião, que suas casas eram próprias, bem estruturadas e agora o governo coloca como opção que eles recebam 200 reais de auxílio moradia e fiquem na dependência do habitacional, caso não queiram os valores baixos oferecidos como indenização para a maior parte das famílias.

Além disso, eles fizeram questão de relembrar que os representantes governamentais que os procuraram prometeram que eles não teriam que se preocupar com nada. Inclusive, disseram a diversas famílias que iriam fazer um mutirão para resolver as questões de documentação, auxiliar nos processos jurídicos para que eles recebessem as indenizações em, no máximo, dez dias após deixarem as casas, mas elas continuam sem a devida assistência há meses.

Na ocasião, o Comitê Popular da Copa solicitou da PGE uma lista com o diagnóstico das famílias, uma vez que este documento é essencial para comparar os dados presentes na mesa governamental com o que está ocorrendo na prática, na vida dos moradores. Ainda não é preciso o número de famílias desalojadas, famílias que recebem auxílio moradia, entre outros detalhes.

Outro aspecto que os moradores discutiram neste encontro foi o aumento significativo da violência, na região. Se antes da desapropriação, os moradores do bairro de Timbi viviam tranqüilos, depois das demolições, eles vivem com medo porque não existe iluminação e muito menos uma rotina mais efetiva de segurança pública no entorno. Agora, vários assaltos ocorrem, à luz do dia e de noite, na região, modificando o cotidiano pacato do bairro.

Diante de todos esses problemas, a maior preocupação dos moradores é com a mudança de governo em andamento. Diante da saída de Eduardo Campos, para se candidatar a presidência e uma mudança certa de equipe, como ficará a vida dos desapropriados? Será que eles vão ter de iniciar as negociações novamente? Será que vão precisar esperar muito mais tempo para ter seus direitos garantidos? Questões que estão tirando o sono de todos os afetados pelas obras da Copa do Mundo.

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